2003-04-21

As mãos sujas

Enquanto lhe apontava a arma, ele calmo sentou-se, acendeu o charuto e suavemente levou-o à boca, em bafos pequenos o fumo soltou-se em frente da sua cara paciente. E eu tremia por dentro, sentia todo o meu corpo a soluçar de adrenalina, na minha cabeça o vazio, tudo passava nada ficava. Olhou-me nos olhos e disse, "Terás as mãos sujas do meu sangue que será o teu", e de seguida uma lágrima desprendeu-se de um olho seu e devagar desceu da sua face enquanto eu apertava o gatilho. De repente num estrondo enorme parou e o som transformou-se num frio insustentável e eu, levando a mão à cara, reparei entao que a lágrima era afinal minha.