2003-06-30

Dentro de mim

Trago um peso enorme dentro de mim, trago vestígios daqueles que matei, trago gritos e expressões de sofrimento. Trago sombras retidas nos meus olhos, desenhos abstractos, lágrimas, gestos nunca feitos, palavras nunca ditas. Trago dentro de mim, tudo aquilo que nunca fiz, trago dentro de mim morte e vida, compassos desalinhados de sentimentos que salpicam a folha de uma pauta em pura sinfonia, em pura desarmonia de sons e tons. Trago dentro de mim, tudo aquilo que não sou, pois o que sou já o perdi há muito. Sou restos de palavras, esboços de desenhos, tentativas de movimentos. Já perdi tudo o tinha só me resta o peso que trago, a cruz que fiz e que agora carrego dentro de mim...dentro mim.

2003-06-23

Curvas Desiguais

O mar é filho dos deuses, filho daqueles que por ele já alguma vez choraram.O mar é azul do céu, é vibrações contínuas dentro de nós. As ondas são a nossa vida. Criações imaginárias que do nada nascem. As ondas somos nós que nos enrolamos em espuma, em dúvidas, em desesperos, em alegrias e tristezas constantes. Somos curva, que se perde na areia, somos força desigual que se mostra ao céu, que tenta percorrer o máximo antes de morrer na praia.
Somos apenas ondas, que se criam e se destróiem sem qualquer pretexto, somos apenas força que se revela desnecessária no fim, somos apenas sons que rasgam os céus em busca de utopias.
Somos apenas curvas desiguais, que tentam formas perfeitas, que tentam atingir o seu máximo. Cada uma em choque com outras que o mesmo pretendem, somos pre-destinados pelas marés, pelos ventos e luas, por correntes que nos prendem ou libertam. Somos apenas sons, que cortam os céus em busca de esperança, em busca de perguntas, em busca de respostas, em busca da razão da areia áspera de inerte que nos mata, em busca de nada, em busca de tudo.