2004-03-26

Repouso

Repousei a minha face no teu peito
Adormeci
Repousei as minhas angústias na tua calma
No teu doce batimento
No som que me enche por completo
Que te dá vida

Repousaste a tua mão na minha nuca
Respiraste
Repousaste as tuas dúvidas no meu cansaço
Nos meus sonhos
Nos pensamentos que crio por ti
Que me dá vida

Repousamos bocados de nós
Sobrevivemos através da calma
Que transmitimos em conjunto
Que criamos num laço humano

Que damos vida.

2004-03-22

De novo

Nunca serei o suficiente
Nunca terei tudo o que alguma vez sonhei

Sempre tentei fugir do destino
De frases soltas que se prenunciam sem sentido
Frases feitas perdidas no meio da rua
São pensamentos que compreendo e desfaço

Não é isto que pretendo
Começo de novo

Nunca serei coerente
Nunca ganharei as vitórias que pensei

Sempre duvidei das pessoas
Dos outdoors que me assaltam a mente
Mentiras que me contam todos dias
São realidades que procuro destruir

Não é isto que pretendo
Começo de novo

2004-03-06

Os meus olhos

O espelho dos meus olhos é álbum de lembranças de ti, que me assombram cada espaço que tenho reservado no meu coração.
O meu pescoço, o meu corpo delgado, é teu, sempre o foi. Que sentido faz agora a falta do teu toque, quando sei que nunca mais o irei sentir?
Cada promessa que fizemos em segredo são rezas, que ouço todos os dias na minha cabeça, são ecos descontrolados, vozes distorcidas e bêbedas de emoção.
Deixa-me dedicar-te uma lágrima minha, repousar na tua pele os meus dedos uma última vez e assim ter a certeza que já vivemos cada segundo em conjunto.
Deixa-me morrer contigo para poder continuar a viver sem ti.

Deixa-me dizer-te adeus...

2004-03-03

Surdos e Mudos

Existem momentos que não sei se perdemos a identidade. Não sou eu que falo nem tu que ouves. Quando tento ouvir, não pareces tu, nem pareces que falas para comigo. Falamos os dois, mas não parece ser para connosco, como se de repente outras entidades fossem formadas e postas a nossa frente e assim de num ápice estamos a comunicar como estranhos. Depois como chegamos a conclusão que nenhum de nós está falar ou a ouvir, ficamos calados.

Vem o silêncio, frio, tosco, absurdo. Os nossos olhos não se tocam, preferem ficar presos a objectos estúpidos ou a pessoas insignificantes que vão passando. O tempo passa, está na hora de sairmos do café, cá fora a luz do sol fere-me um pouco os olhos, e seguimos os dois juntos, surdos e mudos...