2004-04-27

Acabei de o criar

Alarguei os passos na procura do futuro. O medo. Dá-me espaço gritavas em desespero. Dei-te o mundo. Foi teu. Duvidei das palavras nervosamente proferidas. Acreditei em todas a mentiras. Assim o quis. Cada compasso, vírgulas, contratempos, assinaturas falsas. Não voltarei a trás .O passado nunca existiu. O presente sou eu. Acabei de o criar.

2004-04-18

Cafeína

Não me lembro de ter gritado
Ter dado parte da minha presença
Nas tuas mãos
No teu sorriso

A cafeína confunde-me o cérebro
Viajo sentado nesta cadeira
Neste pátio escuro
Na esplanada de elementos vazios

As cores misturam-se
Gradualmente
São histórias que conto
Que se completam num quadro complexo

Os meus olhos são claustrofóbicos
Procuram espaço
Fecham-se por solidão
Abrem-se por liberdade

Não me lembro de ter chorado
Ter dado parte da minha ausência
Nas tuas mãos
No teu abraço

No teu sorriso...

2004-04-01

Morrer entre vírgulas

E eu que nunca quis ser poema
Dou-me em versos
Em palavras trocadas por carinho
Frases que por vezes penso que pouco sentido fazem

Gostava mais que fosse som
Que fosse música
Contudo é sempre tão efémero
Tão só
Prefiro morrer entre as vírgulas
E pontos de exclamação
De quadras de amor
Pleonasmos de prazer e sofrimento

Eu que nunca quis ser poema
Infelizmente talvez nunca o serei