Surdos e Mudos
Existem momentos que não sei se perdemos a identidade. Não sou eu que falo nem tu que ouves. Quando tento ouvir, não pareces tu, nem pareces que falas para comigo. Falamos os dois, mas não parece ser para connosco, como se de repente outras entidades fossem formadas e postas a nossa frente e assim de num ápice estamos a comunicar como estranhos. Depois como chegamos a conclusão que nenhum de nós está falar ou a ouvir, ficamos calados.
Vem o silêncio, frio, tosco, absurdo. Os nossos olhos não se tocam, preferem ficar presos a objectos estúpidos ou a pessoas insignificantes que vão passando. O tempo passa, está na hora de sairmos do café, cá fora a luz do sol fere-me um pouco os olhos, e seguimos os dois juntos, surdos e mudos...
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