Dentro de mim
Trago um peso enorme dentro de mim, trago vestígios daqueles que matei, trago gritos e expressões de sofrimento. Trago sombras retidas nos meus olhos, desenhos abstractos, lágrimas, gestos nunca feitos, palavras nunca ditas. Trago dentro de mim, tudo aquilo que nunca fiz, trago dentro de mim morte e vida, compassos desalinhados de sentimentos que salpicam a folha de uma pauta em pura sinfonia, em pura desarmonia de sons e tons. Trago dentro de mim, tudo aquilo que não sou, pois o que sou já o perdi há muito. Sou restos de palavras, esboços de desenhos, tentativas de movimentos. Já perdi tudo o tinha só me resta o peso que trago, a cruz que fiz e que agora carrego dentro de mim...dentro mim.
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