2003-10-20

Corrente de ar

Hoje sofri o corte furioso da corrente de ar fria.
- "Fecha a porta!"
Senti os pelos do meu braço a desenhar frases complexas na minha pele. Ouvi suspiros de vozes que nunca desejei ouvir; Sou ser escondido.
- "Fecha a porta!"
Não quero saber! Não me interessa o que vem lá de fora, se está a chover ou nevoeiro; Pouco me importa.
- "Fecha a porta!"
A minha espinha dorsal é espada que se ergue em arrepio, os meus nervos são cabos que vibram em tensão.
Por favor fechem a porta, quebrem esta corrente de coisas que não quero entender, simplesmente não quero saber; dor já tenho demais; vozes, quero apenas a minha; o vento não me traz nada de novo; o frio é forte queimadura na minha pele.

- "Fecha a porta!" - Pois nunca mudarei a face da minha angústia, nunca serei quadro de museu em exposição.

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