2003-10-19

Fragmentos

Já fui fantasma das minhas próprias sombras, como ansiedade permanente em cada gesto.
Já fui dúvida verdadeira, juras de amor perdidas em parte incerta.
Já fui dor, sorriso, utopias e aventuras de alguém que se perdeu dentro de si.

Todas as rezas que foram feitas, são palavras trocadas e sem sentido.
Todas as profecias que foram levantadas do chão, são hoje pó que permanece inerte.

Já fomos gestos no ar, desenhos de tons, sons de morte, traços de cores esbatidas nas telas das nossas vidas.
Já fomos compasso perdido no sentido do próprio tempo, loucos que correm pelas ruas em busca do seu tesouro.
Já fomos pedintes que estendem a mão e trocámos tudo o que sentimos, por aquilo que pensavamos que existia, para além de cada respiração nossa.

Já fui vida; já fui morte; já fui pequenos fragmentos de vida que nunca pertenceram à minha própria sorte...

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